E quem não se comunica, como fica?

Por Fábio Luiz de Mello Martins

Até meado da década de 1990, eram comuns cursos de secretariado empresarial e redação comercial. Existiam até uns por correspondência. O objetivo era capacitar os interessados em redigir cartas, memorandos, comunicados e os mais diversos textos que uma empresa necessita. Alguns existem até hoje.

Com o advento de formações mais específicas, de um mercado de trabalho mais acirrado, esses cursos foram sumindo, até porque, na internet existem centenas de modelos desses documentos, bastando um ctrl+c/ctrl+v e alguns ajustes para se ter uma carta comercial, um contrato ou um memorando devidamente formatado e é aí que reside o maior dos problemas.

Como esses documentos são baseados em modelos, sua linguagem é rígida, padronizada, cheia de jargões que, muitas vezes, são desnecessários.

Aprender a redigir textos, sejam simples e-mails ou longos contratos, não é tarefa simples, mas também não é um bicho de sete cabeças!

Basta algum interesse, atenção e treino, muito treino para se desenvolver uma boa escrita, há, óbvio, algumas técnicas que facilitam.

O mais importante de tudo é compreender que qualquer texto possui uma intenção e um público, ou seja, para que vou escrever e para quem vou escrever, tendo isso claro, fica mais fácil pensar se o texto deverá ser objetivo ou mais elaborado, se pode ser mais formal ou informal, em todos os casos ele precisa ser bem escrito, claro, comunicar o que se quer e, acima de tudo, obedecer as normas vigentes do bom Português, o que não significa usar termos difíceis e linguagem incompreensível. Escrever bem não é complicar, não é usar termos restritos a um determinado grupo, escrever bem é se fazer entender, ser claro, sucinto, sem no entanto deixar de dizer tudo que é preciso.

Também é necessário compreender que seu interlocutor, que é quem vai ler os textos, não tem tempo a perder. Escrever bem não significa ter uma linguagem rebuscada, cheia de voltas e figuras de linguagem. Senão você corre sério risco de ser ignorado ou, na melhor das hipóteses, corrigido seguidas vezes. A escrita deve ser dinâmica, acessível, fluente. É muito comum procurarmos no mercado de trabalho profissionais que falem e escrevam uma segunda língua de maneira fluente, mas temos o mesmo cuidado de sermos fluentes em nossa língua materna?

Saber escrever e falar bem tem como objetivo principal a comunicação, lembre-se disso.

E quem não se comunica, como fica?

A resposta é: fica muito mal! Falar e escrever bem é uma necessidade e uma ferramenta poderosa em ambientes de trabalho e as empresas estão de olho em profissionais que tenham domínio da língua e uma ótima comunicação e se comunicar bem vai muito além de simplesmente escrever palavras sem erros ortográficos ou colocar acentos no lugar correto, é ter coerência, coesão, clareza de raciocínio.



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