QUANDO VALE A PENA COMPRAR UM CARRO NOVO?

São Paulo – A confiança dos consumidores aumentou, mas não ao ponto de estimular as vendas de carros no Brasil, que andam mal —caíram 21% em 12 meses até maio, segundo a Fenabrave (federação das concessionárias). No meio da incerteza quanto ao futuro da economia, é hora de comprar um carro novo?

O momento pode ser bom para quem tem poder de barganha. Ou seja, se você consegue dar uma entrada de, no mínimo, 30% do valor do carro novo, como recomenda o consultor Marcelo Prata, presidente do Canal do Crédito.

É provável que você consiga negociar um valor menor do carro, taxas de juros mais atrativas ou um prazo maior para financiar, já que o mercado automobilístico está sofrendo e precisa reconquistar o consumidor.

“Mas, para conseguir financiamento, é fundamental mostrar sua capacidade de poupança, para garantir que poderá pagar as parcelas”, explica Prata. Por isso, se você tiver menos do que 30% do preço do veículo para dar de entrada, é melhor esperar juntar esse valor para trocar de carro.

O planejador financeiro Jurandir Macedo aconselha investir o dinheiro para comprar um carro no ano que vem no Tesouro Selic ou em um fundo DI, que acompanham a flutuação de juros da Selic, a taxa básica de juros, e permitem resgatar o dinheiro nesse período.

Só compre o carro se tiver certeza que a parcela e o custo de manter o veículo cabem no seu orçamento mensal (veja aqui quanto custa manter um compacto, um sedan e um SUV).

Bote na ponta do lápis todas as receitas e despesas (com a ajuda dessas planilhas ou aplicativos), e veja se as parcelas do carro cabem. Lembre que ao deixar de pagar três parcelas do financiamento, você corre o risco do seu carro ir a leilão.

Contraponto

Para o professor Luiz Carlos Ewald, da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), até o final do ano, não é momento para se descapitalizar nem fazer nenhuma dívida grande.

“Ninguém precisa correr para comprar carro. Aproveitar os preços é conversa fiada, já que eles continuam aumentando, mesmo com o anúncio dos descontos”, observa.

Segundo Ewald, é preciso ter cautela porque as taxas de juros dos financiamentos estão altas, com a taxa Selic em 14,25% ao ano, e há risco do desemprego aumentar.

Além disso, a decisão do Reino Unido sair da União Europeia desestabilizou a economia mundial, o que pode contribuir para o Brasil demorar para ter estabilidade econômica novamente. Enquanto isso não acontecer, o desemprego continuará alto e a capacidade dos consumidores de arcarem com suas dívidas ficará reduzida.

Tome cuidado

Se optar por trocar de carro agora, não se atire na primeira oferta. Essa é a regra de ouro na hora de comprar um carro novo. “Tem que chorar muito e nunca fechar direto com a primeira oferta de negócio que você recebeu”, aconselha Prata, do Canal do Crédito.

Outra dica é consultar o Custo Efetivo Total —a taxa de juros e as demais tarifas— e o prazo de financiamento oferecidos pelo seu banco, antes de ouvir a proposta da concessionária, para poder comparar as propostas. No site do Banco Central, você também pode comparar as taxas de juros oferecidas pelos bancos para a aquisição de veículos.

Na hora de escolher o carro, é essencial colocar na balança a depreciação do veículo, ou seja, o quanto ele perderá valor no tempo, para depois conseguir revendê-lo por um preço melhor.

Se for se desfazer do carro antigo, vale mais a pena colocá-lo à venda em sites do que incluí-lo no negócio na concessionária. Lembre que o preço ideal de mercado dado para o seu carro deve ter como parâmetro o da Tabela Fipe menos 10%, para veículos em bom estado.

Porém, essa não é a única variável a ser avaliada para fechar negócio. “Avalie também a taxa de juros e o prazo do financiamento, mesmo que tenham oferecido pouco pelo seu carro”, aconselha Milad Kalume Neto, gerente de desenvolvimento de negócios da consultoria Jato Dynamics.

Fonte: Exame

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